Escrever sentimentos…

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Alguns escrevem umas merdas… outros só escrevem merda… outros não atingem merda nenhuma com a sua escrita…e há ainda os que só fazem merda com o que escrevem. Eu prefiro situar-me nos que se deixam de merdas e escrevem sentimentos. Na interpretação de muitos podem ser sublimes, na leitura de outros quantos, podem ser nobres ou ignóbeis as emoções. Mas quem escreve o que lhe vai na alma, apesar de se expor a criticas, chega ao coração dos que lêem, ainda que tenham um coração de porcaria, para não me repetir…. E mesmo na merda, piar* impõe-se…

Maria João Leal, 27 mar 2009, 00:35:10

DO COCÓ DO NUNO MARKL À CACA DO BILL GATES

O que têm em comum estes dois projectos? Eu digo: ambos dignificam a porcaria, e usam a merda em causas limpas e nobres.

Não percebi porquê Mark Zuckerberg bloqueou o Markl, pois se o seu cocó é uma imagem de corpo inteiro de uma menina sorridente e maquilhada com ar simpático, e esses são mesmo os posts que por aqui rendem mais likes.

Que mal pode ter coloca-la a sair de um rabo qualquer que mais não é do que a representação do imaginário de uma criança pequena que por acaso é seu filho e lhe pediu que o fizesse. Não se pode negar um pedido de uma obra nossa à nossa obra, nem que esse pedido encerre desenvolvê-la sobre porcaria. Se isso não bastasse a dita personagem ganhou ainda mais dignidade, e o Markl ainda mais o meu respeito e admiração quando a associou a um projeto a que sou particularmente sensível, como mãe que também sou, e fez reverter na íntegra o valor da venda de t’shirts com a sua menina cocó imaginada de pai para filho, nos pequenos filhos da má sorte, que se encontram hospitalizados no serviço de pediatria do IPO de Lisboa.

Em analogia com este pequeno passo de grande artista, um enorme progresso tecnológico de um rico filantropo em benefício da humanidade. Bill Gates resolveu investir num projeto de caca – digníssimo, apesar de ter como inputs as nossas próprias cagadas, mas que promete ser tão revolucionário, e contribuir tanto para o benefício humano, como a entrada das janelinhas há uns anos atrás o foi nas nossas vidas. Já estou a imaginar: – tens sede? Espera aí um bocadinho que vou ali dar uma cagada, já te trago um copo de água… É quase tão hilariante como a pequenina cagalhota do Nuno Markl, mas verdadeiramente fantástico pode ser o que isso pode representar, assim espero, nos bilhões de pessoas com sede no mundo.

Por isso nunca se deve olhar um projeto pelas aparências ou avaliá-lo pela repugnância que algum dos seus integrantes nos cause, há sempre coisas maiores em cada pormenor menos agradável da vida, que criativos inteligentes hão-de usar, em benefício da Humanidade, e por isso também terão  o meu apoio, admiraçao e divulgação.

Sandra Correia

TUDO BOAS MOÇAS

Não te contentes com uma mulher bonita que se ri das pessoas e sorri para as coisas, nunca se sabe quando te espera uma mulher ainda mais bonita, daquelas que sorri para as pessoas e se ri das coisas. 

Quando encontrares uma dessas não a deixes fugir por nada, e se preciso for segue-a a nado.
Por mar por terra ou por ar, protege-te das ondas mas segue-a, segue-a com o olhar, mergulha no seu ar, e se a ti esse te faltar, a brisa que dela emana far-te-a regressar a terra seguro, como navio cansado a quem foi negado o naufragio quase certo antes da chegada ao cais mais perto.
Na outra mão vais encontrar um bom punhado das outras moças boas, tão boas mas tão boas, que o facto de existirem as boas moças – as tais – as incomoda sobremaneira, soltando gargalhadas ‘a toa e fazendo quebrar o verniz ‘a tona.

Ilia Mar

NÃO ERA MEL QUE ELA TINHA

Há dois dias que fervilham em mim

Não sabia bem que direcção tomariam

Agora sei onde me conduziram

A Auroras que não são velhinhas fofinhas

Mas safadas, como as portas guardadas
Na algibeira da sua cotoveleira
Que às vezes de dor salta
Ao ver q
ue as mangas de alpaca

A ultrapassam em data
Mas em validade jamais
E eles, os tais,
Que se cansaram dos ais
E de perguntar “Com quem vais?”
Se foram com a madrugada
E no regresso verão
Atingir o fim da linha
E aí percebem então
Que não era mel que ela tinha
Todo o doce lhe provinha
Do umbigo, como vómito contido
De um interior que em raiva bolça
O que no peito lhe falta
Para caixinhas de rapé
Porque o indigesto é garantido
E o barro lhe sobeja no pé

Ilia Mar

 

MENINO D’OURO

Photo by Christopher CAmpbell On Unsplash

Há momentos da vida que nos reduzem a tamanha pequenez e insignificância, que deles regressamos verdadeiros liliputianos temerosos do que os inevitáveis gigantes injustos e cruéis do universo podem fazer a nossos corações e almas. Regressar deles é uma luta, sobreviver a eles uma batalha vitalícia.Há terras e caminhos da vida, que percorremos por momentos que embora não se situem no fim do mundo, o fim do mundo situa-se nelas, e nelas também se iniciam começos brilhantes de vidas promissoras, que jamais se apagam por muito escuros que se façam o paço e os passos da vida. Há meninos nesses momentos e nesses caminhos e terras da vida que de tanto ouro e de tão outro mundo são, Deus não arrisca que sejam conspurcados por este, levando-os prematuramente para se sentarem à sua direita brilhando feito diamante eternamente. Prefiro pensar que assim seja.

A um grande menino d’ Ouro que nunca deixará de ser diamante brilhante em nossos corações pequenos.

Ilia Mar

PAVÃO EXECRÁVEL

Era uma vez um pavão execrável. Mais execrável se tornava porque sempre vestia pele de cordeiro encobrindo lobo malévolo e temeroso. O cordeiro por sua vez vestia-se de poeta de quando em vez, de bom amigo quase sempre, de pai extremoso quando oportuno, namorado amoroso e amante generoso, mas pelo canto do olho sempre à espreita estava o lobo.
Assim seguia sua vida apaixonado pelo bom em si, insuflado pelo elogio grato, de tal maneira que as suas penas se levantavam constantemente em leque colorido e farto em beleza, encantando quem não era capaz de alcançar o olho de lobo mau à espreita.
Tinha uma particularidade este pavão. Quanto mais próximo se encontrava dos animais em seu redor e estes de si, mais deixava sair o lobo e deixava descair o hábito de cordeiro, transparecendo o que de pior existe em qualquer pavão emproado. Conseguia então ser tão execrável que reunia num só: intolerância, desprezo, oportunismo, arrogância, prepotência, maldade, agressividade, violência, e outras mais características que sempre acompanham lobos maus famintos e temerosos.
O seu mau feitio, à medida que foi sendo conhecido entre os que privavam mais próximo de si, foi trespassando para os outros animais da selva. Tanto, que a certa altura já todos sabiam que o pavão era um execrável emproado, que maltratava os mais próximos e se tornava violento quando faminto. Assim progressivamente o leque de penas coloridas foi-se fazendo, aos olhos de todos, cada vez menos admirável e admirado, e o pavão cada vez menos insuflado. A falta de ar de elogio, que oxigenasse as penas fez com que perdessem a cor e ao fim de algum tempo caíram podres no chão. Sem se aperceber, e mantendo o ato reflexo de pavão emproado, este passou a levantar ridiculamente um rabo limpo e branco e a ser chacota entre os animais da selva para o resto dos seus dias.

Ilia Mar

UM BRINDE A TI

Tenho Saudades de ti. Tenho saudades do tempo em que pensava poder mudar o mundo e a ti. Pensava ser possível as pessoas mudarem de atitude porque outras lhe pediam, ou apenas porque sim. De facto não foi possível mudar-te a ti, ou a eles. A idade também me trouxe essa certeza. Mas eu sei que evoluíste e sei o quanto o teu percurso de vida te deve ter custado e marcado.

Dói-me a alma pensar na forma como te foste, um guerreiro desconhecido, sem galardões, sem fundações, sem tostões, que apesar do imenso coração – o masculino mais daimoso que haveria de conhecer – se perdeu numa vida vazia de afetos e cheia de desavenças.

Hoje, dia de teu aniversário escrevo-te com marcada mágoa, mágoa do vazio da não despedida, do vazio das não pazes, do vazio da não presença a cabeceira. Enterrei-te sem verter uma lágrima, e hoje inesperadamente desde cedo penso-te e choro-te, choro tudo o que queria dizer e não disse, choro todas as vivências e recordações que queria ter e não tive, choro todas as selfies que não tirámos, todas as festas a que não fomos, todos os projetos que não partilhamos… choro saudade, imensa saudade dos momentos que sonhei e não concretizei contigo.

E depois prossigo a vida procurando masculinos que me lembrem as tuas virtudes, e sempre acabo tropeçando naqueles que têm os teus defeitos. Mas invariavelmente em todos estás presente ou te projeto. Hoje percebo-o com a clareza de um nascer de dia solarengo. E porque este é o teu dia levantarei a taça de champanhe mais logo ao cair da noite para celebrar-te ainda vivo em mim.

Ilia Mar

 

«No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.»

Martin Luther King, January 15, 1929 – April 4, 1968

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