Histórias Fugazes na Teia

OS ANIMAIS HOMENS e MULHERES (HUMANIDADE)

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Era uma vez um homem que tinha dentro dele um animal… Não um animal qualquer, mas um daqueles temorosos e que desfere golpes fatais quando menos se espera. Daqueles que rondam e fazem rituais de acasalamento com as vítimas para as fazer baixar guardas, permitindo que lhes saltem ao pescoço sugando-lhes sangue e depois a dignidade através do abandono vilipendioso da carcaça. Existem muitos destes animais no interior dos homens, por isso nunca este mundo e esta civilização poderá ambicionar paz ou justiça!...

​Sandra Correia

  

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* Campo obrigatório

OS ANIMAIS HOMENS

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O que distingue os Homens dos animais é precisamente o que sentem pelas mulheres e o que são capazes de fazer as mulheres sentir.
Assim há vários tipos de homens e vários tipos de animais.
Há os homens que amam, que se apaixonam, que gostam da Mulher. E há homens que apenas gostam de mulheres. A diferença surge precisamente na forma diferenciada como um e outro tipo consegue fazer as mulheres à sua volta se sentirem apesar de ambos as apreciarem. O primeiro tipo consegue que a mulher gorda e feia se sinta uma Deusa, o segundo consegue fazer as mulheres lindas e belas sentirem-se um lixo.
Também há os que não gostam de mulheres, alguns porque são homossexuais outros porque são apenas irracionais.
Alguns homossexuais detestam as mulheres porque é com estas que muitas vezes têm que disputar o coração de outros homens, outros apenas porque invejam a sua forma e conteúdo. Não obstante podemos também encontrar homossexuais que ainda assim adoram mulheres, pois admiram profundamente o modelo feminino que gostariam de ser, outros que se empatizam com os seus feitios e defeitos como amigos sensíveis e que se apaixonam por elas mesmo sem nunca as desejarem como homens.
Depois há os homens que se dizem verdadeiros machos (só não sei bem de que espécie) que detestam as mulheres. Que consciente ou inconscientemente, as consideram desconsiderando-as. Esses normalmente vêm-nas como peças de carros, material bélico ou desportivo ou equipamento de cozinha, desprovendo-as de sentimento ou destruindo os seus sentimentos e auto estima constantemente e sem qualquer pejo ou arrependimento. Esses são os verdadeiros animais sem espécie definida, definidos como animais egocêntricos, selvagens, alguns até predadores e canibais disfarçados.
Assim minhas amigas tenham o maior cuidado com este tipo de animal irracional se ouvir de algum uma comparação de si a algum tipo de equipamento ou material referido antes - mesmo que pela positiva - fuja, fuja depressa e bem enquanto é tempo, que eles são do mais destruidor que existe e colocam armadilhas disfarçadamente dolorosas às suas presas quando estas baixam guardas.
Ilia Mar

A MULHER SERÁ QUE ANIMAL?

noiva_nervosaSe a mulher fosse um animal seria definitivamente um felino. Toda a mulher é dengosa, astuciosa, movimenta-se sorrateira e elegantemente e tem por norma os sentidos aferidíssimos e o olhar inquietante. São digitígradas, ou seja caminham em pontas de dedos e quase sempre usam as garras para se defenderem ou para segurar as suas presas. A maioria ronrona ou mia, mas quando se assustam ou entram em conflitos rugem a bom rugir. Para defender as suas crias quase todas viram leoas. E algumas partilham o cuidado dos filhotes com outras fêmeas, enquanto saem em busca de alimento. Quase todas as mulheres são ágeis, velozes e flexíveis tal como todos os felinos. Algumas são capazes de pacientemente observar a sua presa durante longos períodos aguardando a altura mais adequada para surgir do nada e surpreende-la. Outras marcam território através de odores (como os que deixam nas golas das camisas dos amantes), porque normalmente estes espécimes também têm imenso cuidado com a sua imagem e higiene. Quase nunca se detêm perante os obstáculos, e têm uma capacidade inata de recuperarem dos impactos das quedas atingindo de forma rápida novamente o equilíbrio. Algumas são traiçoeiras e trepam com facilidade, e muitas têm alguma dificuldade para descer depois de estarem no topo. Tal como os felinos, as domesticadas, apresentam por vezes comportamentos inusitados, tanto podem simular que ignoram o dono, como encostarem-se ou entrançarem-se nas suas pernas ronronando, ou simplesmente sair a fugir assustadiças e às vezes sem razão percetível. Quase todas apreciam o conforto do lar e o calor de uma lareira. E algumas utilizam as caudas para comunicarem e desafiarem à interação íntima.
É, sem dúvida, os animais que em comportamento mais se assemelham à mulher são mesmo os felinos, embora existam outras espécies com características mais raras que também têm tudo a ver com a Mulher, como as lagartas que sofrem sempre uma metamorfose catártica na sua vida, ou o polvo mimético que consegue transformar-se em outras espécies, adaptando-se e camuflando-se com os ambientes, alterando aparência, cor e textura frequentemente.
Ilia Mar

“PREOCUPA-ME O FUTURO…”

Um destes dias passou-me pelo monitor um pensamento de alguém, como foi fugaz, penso que a memória me poderá atraiçoar, mas era qualquer coisa como: “Preocupa-me o futuro pois é lá que vou passar o resto dos meus dias!”. Pensei: ora aí está o pensamento de alguém de bem com o seu presente e com o seu passado resolvido. Quão diferente do pensamento que me ocorre neste momento de vida… em que trago um passado agarrado e um presente incerto e nublado… No entanto, despertou-me a resiliência adormecida… e pensei novamente; isso é o que te deve de facto preocupar, mulher… O futuro!… E o alcance de melhor futuro depende do que faças no presente e da forma como és capaz de deixar lá atrás o teu passado. Já tinha dado passos decisivos até nessa estratégia, quando novamente a “conjuntura” do momento me derreou… e desta vez não foi apenas o excesso de palavras azedas mas a sua ausência…como pode o silêncio magoar mais que mil palavras!… Quando se traz um passado repleto de palavras amargas parece-nos ouvi-las no silêncio de forma muito mais ensurdecedora. De facto, às vezes o silêncio pode ser mais doloroso de ouvir do que as próprias palavras, é que pode ecoar no cérebro e no coração através do trespassar de feridas ainda abertas de forma acutilante…Como sou combativa e bem-humorada, embora possa não parecer, a verdade é que me farto de rir de mim mesma!... E com os meus filhos rio-me à brava, ou seja, pensei, não preciso de acrescentar mais um problema ao quadro, ainda que me possa ter parecido a solução, quando também por aqui passou o pensamento de Elbert Hubbard: “os sábios reconhecem que o único modo de ajudar a si mesmo é ajudando os outros.” E encontrei então a verdadeira solução - aderir à campanha do Banco Alimentar e abdicar de apenas meia dúzia de cafés por semana, menos doloroso e causa muito mais meritória!...

​Sandra Correia

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DE FUTURO – MEU PASSADO A TROCA DE UM PRESENTE

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De futuro te entregarei meu passado em troca de um presente contigo.

Dá-me tempo e te segredarei onde guardava meus tesouros de infância, te indicarei por onde sonhava navegar enquanto crescia, te farei imaginar o que mais me movia na adolescência, ficarás a conhecer com certeza as marcas e cicatrizes que a vida me deixou. Se me prometeres não reincidir em algumas que mantenho ainda infectadas, te sinalizarei as maiores e mais profundas como nunca perante ninguém admiti.

Dá-me tempo para que te convença a pensar sob novas perspectivas o racional e o empírico. Ensinando-te a importância relativa de cada um deles como eu a entendo.

Dá-nos tempo para que partilhemos pontos de vista diferentes, sobre as mesmas coisas, ou coisas diferentes sobre o mesmo ponto de vista.

Dá-nos tempo para viver na cumplicidade e aprender a viver na adversidade.

Concede-nos hoje tempo e espaço para que cresça em nós a saudade na ausência e a felicidade no futuro reencontro.

Tenhamos a coragem de não colocar amarras ao aprofundamento do conhecimento mútuo. E porque esse se constrói concede-nos tempo e recursos, para esta empreitada, por favor meu amor. Prometo-te como empreiteiro que se preza, jamais dar a obra por concluída.

 

Ilia Mar

 

 

A CONTERRÂNEA

Casei com uma mulher fantástica. Fui o seu primeiro e único homem.
Como me excitava pensar que havia sido o único a penetrar a sua caixinha de segredos.
Sempre tinha vontade de regressar a casa ao fim do dia, aquela vontade de regressar aos seus braços carinhosos, ao seu beijo doce, ao seu escutar maternal, ao seu amor excepcional.
Dia após dia contava-lhe o meu dia, os meus projetos, as minhas ambições e sempre recebia um sorriso.
O sorriso aparecia sempre quando lhe contava entusiasmado o sucesso de um inovador equipamento, mas igualmente sorria se lhe falasse da frustração de uma derrota nalgum novo projeto.
Nunca lhe conseguia arrancar uma palavra de incentivo e apoio ou uma palavra de parabéns e de força. Mas estava certo escutava mais que a minha árvore dos segredos da infância, com quem partilhava tudo, e que imóvel abanava os ramos ao correr da brisa, que ora chegava cálida e agradável ora fria e forte. Mas a minha querida esposa não trazia brisa com ela, apenas um abrir de lábios num rosto inerte, mas belo.
Saiamos aos Domingos para passear, e a minha musa inspiradora colocava-se em posição de Gioconda com um sorriso sempre presente e um olhar sempre atento mas, invariavelmente ausente.
Com o passar das estações, fui-me apercebendo que o calor do alto Verão não me fazia o coração aquecer, as primeiras chuvas do Outono, que faziam dançar folhas de diversos ocres sob o nosso jardim não me faziam cantar, os flocos de neve que escorregavam pelas janelas não eram capazes de me fazer sorrir e alegrar pelo fogo crepitante da lareira acesa, nem os primeiros ninhos de andorinha no nosso beiral me entusiasmavam a fazer contas ao período de gestação que faria voar inseguros pequenos filhotes rumo a liberdade.
Mas tinha uma mulher só minha, bela com um sorriso nos lábios e um olhar atento!
Considerei que a ausência de emoções fortes na minha vida estaria a dar-me sinal que seria altura de ser pai, e criar uma família a sério. Sim, uma criança sorridente, inocente e bela como a mãe com certeza encher-nos-ia o coração do encanto que, por qualquer motivo me estaria a faltar.
Fizemos então um filho em amor pleno em noite de lua cheia.
Oito meses depois nasceu o nosso menino, lindo como a mãe.
Ao entrar 30 dias depois, na nossa casa, com Salvador nos braços, senti que era um homem completo. Tinha um filho lindo como a mãe e uma esposa bela, com um sorriso nos lábios e um olhar atento.
Nosso menino cresceu saudável mas pouco sorridente, desatento e algo ausente, introvertido e incomodado com gente.
Mas quando estava comigo sempre sorria ao soprar de um “o teu pai é careca”, ao desenhar de um automóvel vermelho no papel branco, ao amachucar do papel, ao acerto da bolinha no cesto, ao ouvir a música Aquarela. E sempre era essa a música que o acalmava quando sentia confusão em volta.
O nosso menino crescia cada vez mais sorridente, e cada vez mais afeiçoado a mim o que me enchia o coração de amor, regressando a emoção de estar vivo.
Certo dia em que, penso que alguma conspiração celeste me conduziu mais cedo a casa. Entrei com a música ambiente, esperando encontrar minha bela, sorridente e atenta esposa brincando com o nosso menino.
Encontrei sim, o nosso rebento brincando com legos e correndo para abraçar minha cintura, e minha amada nos braços de outro homem no nosso quarto.
Meu mundo ruiu no momento.
Durante meses o seu sorriso apareceu-me constantemente em sonhos, que sempre me faziam acordar suado pela gargalhada sarcástica que se lhe seguia.
Felizmente a dificuldade de criar um menino com Síndrome de Asperger afastou minha esposa atenta mas ausente, da assunção da sua guarda. De qualquer forma não sem antes exigir a pensão, que lhe cabia pelos anos que cumpriu como esposa sorridente e atenta.
Isso nem sequer me importava contando que o resultado do meu amor estivesse comigo para sempre.
Salvador foi sempre o centro das minhas atenções, a preocupação dos meus dias, o preenchimento dos meus tempos livres, o investimento das minhas noites. E esse envolvimento dele comigo fez regressar o encanto do passar das estações, fazendo-me esquecer que a presença de uma mulher na minha vida era também importante, porque nunca a senti como imprescindível.
Quando seguramente já não esperava encontrar encanto no feminino, eis que surge uma mulher encantadoramente interessante, enormemente sensível, aparentemente compatível, mas de quem nada sei ou conheço.
O medo instala-se. As peças encaixam tão bem que não me parece possível tanta compatibilidade ou opiniões e gostos comuns, estarei a ser enleado novamente por alguma viúva negra, questiono-me.
Investigo, pergunto, procuro saber mais e descubro coisas que me dizem que essa mulher tem pontos mais negros na vida do que o ponto de luz que aparenta ser.
Assim sem nunca a conhecer pessoalmente, afasto a minha atenção do seu enleio achando que qualquer mais adiante me pode conduzir à desgraça.
No entanto por qualquer força cósmica que desconheço e contrária á minha razão, durante anos acompanhei de perto os seus ditos e posts, as suas selfies e fotos de vivências, e constantemente surgia imperceptível um sorriso aberto em meu rosto a cada identificação com o que dizia e opinava.
De regresso ao fim do dia a casa depois de cuidar de Salvador corria para a rede para saber o que dizia ou sentia hoje. Depois comecei a regressar aos ontens, às semanas passadas, aos anos anteriores, e percebi uma constância e identificação que ninguém seria capaz de construir sem matéria real.
De regresso ao hoje uma mensagem informativa acompanhada de um laço negro, assinada por alguém que não ela.
Havia partido sem que a olhasse profundamente nos olhos, sem tocar sua mão, sem beijar seus lábios, sem sequer lhe afirmar admiração.
Um vazio se instalou nos meus fins de dia, já não tinha textos e posts para ler, me identificar e sorrir, já não tinha conselhos oportunos, provérbios assertivos, imagens adequadas ao encerrar da minha jornada.
Quando a sua autobiografia póstuma foi lançada na nossa cidade natal, corri a adquiri-la e regressei com ansiedade a casa para ler com Salvador a história de vida de quem nunca foi madrasta.
“A quem não me conheceu em vida, e desconfiou da minha essência, saiba que sempre fui fiel, leal, apaixonada, verdadeira e dedicada...”
Pela primeira vez uma lágrima caiu de meu rosto ao lê-la…e percebi nitidamente o que deixei de viver pelo medo de sofrer.

Maria João Leal
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* Campo obrigatório

O BUSTO

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Num dia que nasceu sem sol, Leonor permanecia sonolenta no curto espaço onde sobrevivia há anos. O seu busto era belo, uns cabelos longos atingiam com insegurança uns maravilhosos seios imaculados, e acima deles um rosto de anjo, com maçãs visíveis e sardentas, que sustentavam duas esmeraldas puras que tudo observavam mas que só viam o que queriam ver. Seus lábios desenhados pelos Deuses não eram capazes de esconder a vontade que traziam de beijar, e cada palavra proferida soava a quem por ali passava, ao mais belo canto de sereia jamais ouvido. Assim que, os iluminados que já tinham ouvido falar do encantamento doentio a que o dito canto conduzia nos romances e relatos de outrora, fugiam a sete pés, enquanto outros incautos e mais incultos acabavam irremediavelmente por morrer de amor não correspondido por ela. E ela mantinha-se serena e inocente aguardando o momento em que pudesse encantar também os cultos e iluminados para lá do seu canto, para lá da beleza do seu rosto e seios, para lá do apelo dos seus lábios. Uma vez que o busto era tudo o que permanecia de fora do gelo, que se havia criado há muitos anos atrás naquele reino, apenas esse pedaço dela estava visível aos visitantes e desse se aproveitavam os leigos e laicos e se afastavam os entendidos e mestres. Então nesse dia em que o Sol não se levantou com a madrugada, Leonor permanecia sonolenta, achando que esse seria mais um dia sem graça, pelo que esticou um pouco mais o sonho, onde passeava de mão dada à beira mar recitando poemas. Uma onda maior rebentou a seus pés e o susto despertou-a do sono, deparando-se com dois olhos curiosos fitando-a de forma interessada.

- Molhei os pés! - Gargalhou, como se ainda estivesse no sonho.

- Quais pés? - Perguntou o seu novo interlocutor, surpreso.

Ambos riram a bandeiras despregadas como se estivessem numa patuscada de amigos de 20 anos. E prosseguiram todo o dia e toda a noite nesse espírito de recordação do nunca ocorrido a meias.

Leonor sabia que tinha encontrado a chave para derreter a neve que a prendia desde a noite em que uma bruxa má lhe terá lançado o feitiço há anos. Mas João, não imaginava nada do que estava por trás da sua limitação física, nem estava certo que isso fizesse diferença, na afinidade que já havia criado com Leonor em tão curto espaço de tempo.

De modo que não foi capaz de resistir ao chamado silencioso dos seus lábios e beijou-a apaixonadamente, como se não houvesse amanhã, e suou e tremeu, e estremeceu, por longas horas. Até que de repente associou o seu estado de anormalidade ao dito “canto da sereia” e com medo de ser encantado fugiu a sete pés. Como marinheiro que se preze atou-se ao mastro e prosseguiu caminho tentando avistar mares menos pecaminosos, perigosos e loucos.

Na verdade João gostava de vida pacata pouco emotiva e muito emocional, pouco extravagante mas muito divertida, pouco anormal mas com alguma rotina. A cegueira do medo e do preconceito no entanto colocaram-lhe entraves psicológicos que foi incapaz de ultrapassar e com isso deixou passar a oportunidade de uma vida cheia a troco de uma vida certa.

Leonor por seu turno permaneceu uns anos mais, submersa em gelo, tentando encantar, na esperança de que a encantassem de volta mas sempre sem sucesso.

Até que, num dia solarengo em que os primeiros a acordar foram os pardais por cima da sua cabeça, que iniciaram uma bela sinfonia antes mesmo de o Sol se encontrar no seu auge, surge entre a bruma da manhã, uma figura conhecida mas simultaneamente desconhecida, frágil mas com igual coragem e força, tocando saxofone em perfeita sintonia com o canto dos pardais. Por momentos Leonor pensou permanecer no sonho, mas à medida que o som se fazia mais audível com a proximidade, ousou abrir seus olhos esmeralda e encantar-se com o talento daquele novo visitante. Recuperou então a esperança e a crença que seria possível finalmente derreter o gelo que lhe tolhia movimentos, permitindo apenas que vislumbrasse o mundo através da sua imaginação durante anos.

Tiago parecia agora determinado na forma como chegou aquele lugar e não apenas o repente que Leonor percebeu, parecia trazer planos esbatidos para que definissem os limites juntos, trazia sonhos suspensos para que prosseguissem juntos a história, trazia um passado farto e um coração vazio. Leonor que mantinha o seu congelado, percebeu então que era este afinal o seu destino, preencher um coração vazio de uma vida farta e não ocupar um pequeno espaço num coração farto de uma vida vazia.

Ilia Mar