TECER ILUSÕES

photo-1457131760772-7017c6180f05

 

Quando chove é um bom dia para tecer ilusões, resgatar corações apertados, cicatrizar buracos e gerar sonhos há muito ansiados.

 

Apanhar-te-ei a meio caminho do céu, e colheremos as estrelas que as nuvens libertarem pelo percurso, para entregar a avozinhas ternas que sempre se encontram no fim dos nossos momentos bons.

 

Se encontrarmos algum cordeiro com pele de engano pelo caminho, dispensamos-lhe também algumas estrelas. Estas incendiarão a sua veste, e reorientarão as suas atitudes, revelando as suas virtudes.

 

E sem que nos apercebamos o sol abre, um arco-íris surge no horizonte, e mesmo que não lhe alcancemos o final, a cor tombará em nossas vidas tons pastel e purpurina, que nos farão regressar a vontade de concretizar e a alegria de estar vivo.

 

Ilia Mar

Leva-me ao Mar meu Amor

856215_10152144075419319_1481876706_o

Leva-me ao Mar meu Amor

Vamos ouvir as gaivotas sobre o entardecer

O sol a pôr-se nos nossos corações serenos

A lua a abrir luz no horizonte

E a acompanhar as nossas palavras soltas

O inquieto correr das ondas

Prometo-te cobrir o luar de encanto

E desinibir o areal que quieto

Aguardará ansioso a chegada de Tétis

Para com ela acordar preenchido

De estrelas cadentes de desejo

E que a vida nos sorria na alvorada

E as gaivotas em uníssono cantem à brisa matinal

Que aqui se selou um conluio em nome do bem sem mal

Ilia Mar

Acordei com poesia no sangue

dreamstime_l_40620844

 

Hoje acordei com poesia no sangue…com brisa na guelra, com raios de sol na respiração e com fios de luz no suspiro.

Estou certa que se tivesse o peito aberto às balas tu sararias com cuidado minhas feridas em chaga, farias curativos com sedas da Índia cobertas de ervas milagrosas da Amazónia e fitarias com atenção a evolução da cicatriz, permitindo-te cair no sono, apenas quando toda a ausência de pele fosse refeita.

E o mais extraordinário é que eu própria velaria eternamente teu sono se os desígnios do destino te adormecessem antes do tempo. Acariciaria teu rosto depois de o barbear delicadamente, beijaria tuas pálpebras fechadas e te sussurraria diariamente as palavras a que chamávamos nossas, para que jamais te esquecesses de nos resgatar.

 

Ilia Mar

Nada era efémero

Tenho vontade de te tocar, percorrer teu rosto como invisual tateando o amor. No silêncio da praia ao fim do dia, apenas interrompido pelo vai e vem das ondas que em nós ecoam salpicos em rostos cândidos e iluminados pelo sol a pôr-se no mar. E como quem transforma pão em rosas, acolhemos no regaço as pétalas do nosso contentamento e esperamos que cresçam sem espinhos. Sem espinhos que cortem ou que firam o que temos, e que de tempos a tempos regressa em força a lembrar-nos milagres passionais d’outrora. Porque o sentimento que nos une é mesmo d’outrora. Da altura em que amar era para sempre e não eram descartáveis os sentimentos. Pelo contrário o que nos une é dum tempo infinitamente afastado, em que nada era efémero e o amor sempre conduzia ao eterno. 

Ilia Mar

photo-1457298483369-0a95d2b17fcd

 

Que é preciso para que me ames?

photo-1457178505535-be57374cad03

Que segredos mais queres que te desvende para que me ames?

Posso contar-te que amei primeiro os animais, que adorava cães, gatos e pintainhos.

Que nunca refreei vontade de brincadeira. Nem após os raspanetes que levei por não manter a roupa limpa ou seca, nem após o sofrimento de matar uma boneca tirando-lhe a cabeça em cirurgia, nem após dar fim a brinquedos mecânicos por pretender perceber o seu funcionamento.

Que sempre fui muito introvertida na presença de rapazes, que sempre lia e estudava ouvindo musica, que sempre sonhei com um amor e uma cabana.

Que sempre me indignei e insurgi contra as injustiças e ingratidões.

Que sempre me posicionei junto dos fracos e desprotegidos, e que sempre me identifiquei com minorias.

Que tenho muita dificuldade para engolir sapos, a mesma que tenho para soltar a franga, ou fazer das tarefas um bicho-de-sete-cabeças, ou tirar o cavalo da chuva.

Que as primeiras histórias que li e me envolveram foram fábulas ilustradas.

E que os romances que mais me entusiasmavam eram de autores de língua portuguesa.

Que amo a minha família, a minha pátria, e o meu país.

E agora já és capaz de me amar um ‘cadichinho mais?

 

Ilia Mar

Querido Pai Natal…

photo-1450198342040-c32e6d1ef2e4

Querido Pai Natal, este ano traz-me quem me inspire mas também quem me respire. 
Aproxima de mim apenas quem não tiver medo de amar. 
Apenas quem for capaz de inspirar pela palavra e gesto uma alma criativa inquieta que devolve na volta figuras de estilo de arrepio. 
Quem seja capaz de colocar em cada caricia um arco íris aberto, ao fundo de uma brisa cálida e campestre. 
Quem consiga alcançar trazer o mar a terra sem sabor a sal e guerra. 
Quem me leve ao céu da sua boca como quem conduz anjos ao inferno. 
E quem me traga o pequeno-almoço à cama como se o dia não fosse acabar nunca. 
Quem me respire ao levantar, a meio da jornada, ao chegar a casa, ao deitar na cama. 
E que não aguente esperar o dia seguinte para me dizer que me ama. 
E que precisa de mim para adormecer sereno e quente este inverno e os seguintes, e os seguintes, e os seguintes.

Ilia Mar

Coração de mãe

Coração de mãe é o músculo mais elástico do corpo do ser humano.

Aperta até ao infinito em cada tosse, a cada sangue que se solta do nariz, a cada febre, a cada dor.

Alarga brutalmente a cada sorriso, a cada vitória, a cada sucesso escolar.

Encolhe tremendamente quando se ausenta a comunicação, quando se sente tristeza, quando se pensa problema.

Fica preso por um fio e por vezes chega mesmo a saltar-nos para as mãos quando sofrem, quando choram, quando não alcançamos trazê-los até nós.

Estica como nunca tornando-se grande de mais para encaixar no peito quando se assiste a uma formatura, um prémio, uma realização, um casamento, um nascimento.

Aí entra o coração de avó, que é mãe a dobrar, a saltar novamente do peito com as maleitas, com as ausências, com os choros.

E a preencher o peito com os abraços, com os beijos, com as gargalhadas, com as cumplicidades, com os segredos.

 

Ilia Mar, mãe — a sentir-se com coração apertado…

 

Aqui pode pedir-nos para escrever por si quaisquer sentimentos que lhe apraz divulgar

Campos sinalizados com * são obrigatórios

Este campo não é obrigatório, apenas o solicitamos para facilitar a comunicação imediata
Dê-nos por palavras suas, uma breve ideia sobre o que pretende e com que objetivo, depois poderemos explorar melhor como podemos ajudar