1ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 

Do meu novo livro “posts que assomam o pensamento da maluca” ou “em que pensas maluca?” ou “Histórias do Mural da Maluca” qualquer coisa do género, nunca fui boa a titular… às vezes ficava no banco, e isso e os títulos são factos importantes?

Toda a gente lhe abre as portas e ele a todos fecha janelas, horizontes pequeninos, longínquos, linguiça, bacalhau e vinho verde. Depois há os punhos de bronze ofendidos da melodia estridente, mas sem pejo de ofender os não melómanos. 

Prossigo caminhos circulares sem nunca passar no mesmo sítio, e penso… penso-me… penso-os… pensá-los-ei? E então saltam tachos e tampas a baterem umas nas outras em grito de alerta inaudível, recordando uma criança que em tempos partiu serviços de chá dos cinco completos, peça por peça, a peça pela peça. Como queria partir os legos que teimavam em cair abaixo da mesa de camilha em que entupia as palavras dias e dias e dias!!!!

Continuo juntando os caquinhos de outros tempos com os Gurkha que anseio e estou prestes a concretizar no agora. Mas temo pela inocência a que conduz a novidade e com isso a ignorância.

 

Ilia Mar

2ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 
 
 

Hoje jaz o gin corado na lápide da minha deceção. Aqui se encontra enterrada a emoção e anseio de flores coloridas bonitas, bem e mal me quer, muito, pouco, nada, tudo. Tudo o que desejo é a ti. De todos o eu deseja o tu. E esse ausentou-se para parte desconhecida e solidamente solitária. Carregado de triste, tristes memórias de um nada a que um dia chamamos tanto. E eu ali fico olhando 22 marmanjos e uma esfera do tamanho do nosso mundo pequenino, pontapeado como quem chuta a má sorte da vida e torce patas de coelhos de raiva odorante, como que dando cabo de uniões musculares e musculadas. E perante as misérias do mundo atuamos em paralelo 360 partilhando utopias maiores de veleidades de outros tempos, de tempos d’ outrora. Outrora’s que nos conduziram até ao momento em que te foste e eu me fiquei… indo. Mas voltarei, te garanto, nunca deito toalhas ao chão que não estejam já sobejamente mosquetadas pelo tempo. O meu desistir só é comparável ao sentir-me menos bonita e catita, e tu – tadica. Tadica é que não aceito, tadica é que não vive em mim, tadica é que não me convence. E assim prossigo gritando ventos maiores de perdões menores. Chegando ao ponto em que partirei a louça toda com todo o amor de louca.

Ilia Mar

3ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

Acordei com o canto do galo da aldeia que, de tão longe não alcancei ouvir. Na verdade hoje apresentou-se rouco de catarro e olheirento, pergunto-me onde terá deixado o cavalo que o trouxe, ou terá sido égua? Duma noite mal dormida, de um plano de viagem cumprido e compridíssimo, dos interminavelmente chatos que parece jamais chegar ao destino, ou sequer chegar a saber qual o seu destino. Planei sem plano sobre as nuvens da capital esperando avistar um acenar da janela do Boeing 9’s fora nada, que me soubesse a muito, ao tanto que saudosamente recordo. Recordo então um pinhal recheado de caramelos espanhóis e borrachinhas das que vêm em formato urso pardo da minha emoção. Pardalento o som que se ouve das encostas e das escarpas em redor, verdes da esperança que mantenho acesa ao regressar de mim a ti. Não me irei daqui com menos que dois abraços e três tostões, podes escrever também. Melhor que reconheças veracidade em advogado que não te cobre os olhos da cara ou não poderás visualizar a beira-mar a cavalgar desenfreada de encontro à areia marcada pelos cascos do dito cavalo ou da égua. Se cobrar manda-o a banco novo que esses normalmente têm dinheiro fresco para barrar advogados exigentes e impertinentes, ou talvez já não.

Ilia Mar

4ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 

Photo by Baptiste C David on Unsplash

 

Se pensais que vos safais desta Oh maiorais de la voiture et la moto estaindes enganados. Não são duas as moçoilas inocentes nem os três pastorinhos andavam aos pares tão pouco, ou sequer a maioral mor, é a nossa senhora de Fátima sobre a azinheira em amanhecer de nevoeiro. Esse foi o D. Sebastião que desapareceu no nevoeiro. A Nossa Senhora esfumou-se, mas regressou outras vezes, e no regresso zás lá estavam os populares para ver, orar e aplaudir. As palmas tanto aplaudem como palmatoam por isso minhas amigas e amigos das massas e maças, das manhas e manhãs e tardes, e do morango não pensem que continuarão a avistar horizontes risonhos, que estou certa se abaterá sobre vós a espada de D. Sebastião regressado do neVoeiro cheio de vontade de por cobro às injustiças das calças rotas e cabelos aos ventos da mentira e dissimulação! Poupará com certeza a nossa senhora que essa ‘tadica já está muito enjoada, cheira-me até que possa estar de esperanças, que nós esperamos sejam curtas. Porque para longas bastam as fiadas de pedrinhas que fui tecendo em segundos, minutos, horas, e dias a troco de nada ou coisa nenhuma, e as moedas na caixa automática a serem engolidas qual slot machine inversa, a romper bolsos, dos que não têm a alma remendada, mas espíritos grandes e positivos. Por isso morangueiros vos digo que o corpo se fecha ao passar da admiração ao ódio. Assim tenho dito que este ano não voltarei a tombar nem de focinho nem de cagueiro, que a ferida ainda se reconstrói, enquanto o cóccix tenta regressar à sua normalidade. Como a fé em Deus é pouca e na Humanidade ainda menos, não perdi nem nada ganhei, a não ser calos de estupefacção mas esses, com uma água benta ou nas ventas de quem nos surpreendeu, incham desincham e passam.

Ilia Mar

5ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 
 
 

O líquido só aparece no nosso bolso, quando rompem o bruto dos montes de trabalho de casa. Bruto, quase líquido de passados que se arrastam para a ansiedade com que aguardamos o futuro, que nos chega calmo e aparentemente positivo. Por muita ansia que o que virá te crie, deverás focar o teu atuar tão só e apenas no presente. Porque se pensarmos bem o presente é um passado a cada segundo que passa e cada fração de tempo que nos chega é o futuro a acontecer. Pelo que, pensar e repensar o passado e tentar vislumbrar o futuro é uma perca de tempo que só te fará perder presentes. Preocupa-te apenas com o presente que te proporciona o hoje porque quando o amanha chegar podemos já estar de partida, ou partidos. Além de que, o ontem não voltará a menos que sejas casmurro e o faças regressar. Eu quero e pretendo viver onde o futuro chega e o passado se vai. Porque num Mundo onde até os mineiros estão minados, devemos tentar escapar às armadilhas como quem escapa de feixes de luz paralelos, divergentes e convergentes de laser vermelho protegendo obras de arte. E esse cenário encontra-se no teu presente, se te distraíres com passados ou futuros, nunca sairás vencedor no presente. O prémio, além da sobrevivência – a própria arte e o seu estado.

Ilia Mar

6ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

A A à cabeça, seguido de A S dos S e depois por B de A pegam o touro pelos cornos, sustendo 8,5% do capote rosa fúcsia da nossa indignação. Depois a lide de bandeirolas coloridas no dorso da nossa imprudência e comodismo. E assim se vai passando a Tourada no País em que vivemos. Não me venham dizer que quem manda no caçador é o coelho porque parece-me que quem manda faladura e provoca calcadura no povo não é esse mas antes aqueles que sozinhos detêm mais que algum dia 99% da nossa populosa pestilenta pigarcice poderá alcançar. Pigarços que dominam direta ou indiretamente uma percentagem que, penso ninguém terá calculado, dos postos de trabalho nacionais e acabam por pagar direta ou indiretamente o consumo dos tristes, tristes consumidores a eles próprios. Enfim uma teoria Económica carregada de encriptação para que não surja na mente dos iluminados qualquer relação entre a ficção e a coincidência.

Ilia Mar

7ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 

Eu sou de pejos, mas igual medida de beijo, sou beijo quente e cálido, braços imensos apertando a amizade e respeito por quem me faz bem, a quem quero bem.
Eu sou de beijos, e igualmente de feixes. Feixes de luz, que verto de fechos éclaires entreabertos, desejosos de sol quente e luminoso a expandir horizontes claros e luzidios. 
Eu sou de fechos. Fechos, botões e cordões à bolsa, que solto na medida que me apeteça e possa, conduzir dias e noites maiores a experiências enormes encabeçando a entrada no céu das cinco.
Eu não sou de cordões, sou de corda solta libertando sentimentos que se de regresso serão meus, meus amores, meus amantes, meus amigos.
Eu não sou de inimigos, sou de amizades coloridas, sustidas em confiança, partilha e respeito mútuo, mutualismos e mutualidades de que poucos são capazes de falar porque não sentem, mais que o umbigo por onde se alimentaram 9 meses e que pode alimentar um ego uma vida.
Mas também os há que se alimentam pelo umbigo uma vida e aguardam a melhoria do ego pelo alimento alheio, desses sou e serei sempre compincha.

Ilia Mar

8ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 
 
 

Hoje jaz o gin corado na lápide da minha deceção. Aqui se encontra enterrada a emoção e anseio de flores coloridas bonitas, bem e mal me quer, muito, pouco, nada, tudo. Tudo o que desejo é a ti. De todos o eu deseja o tu. E esse ausentou-se para parte desconhecida e solidamente solitária. Carregado de triste, tristes memórias de um nada a que um dia chamamos tanto. E eu ali fico olhando 22 marmanjos e uma esfera do tamanho do nosso mundo pequenino, pontapeado como quem chuta a má sorte da vida e torce patas de coelhos de raiva odorante, como que dando cabo de uniões musculares e musculadas. E perante as misérias do mundo atuamos em paralelo 360 partilhando utopias maiores de veleidades de outros tempos, de tempos d’ outrora. Outrora’s que nos conduziram até ao momento em que te foste e eu me fiquei… indo. Mas voltarei, te garanto, nunca deito toalhas ao chão que não estejam já sobejamente mosquetadas pelo tempo. O meu desistir só é comparável ao sentir-me menos bonita e catita, e tu – tadica. Tadica é que não aceito, tadica é que não vive em mim, tadica é que não me convence. E assim prossigo gritando ventos maiores de perdões menores. Chegando ao ponto em que partirei a louça toda com todo o amor de louca.

Ilia Mar

9ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

Acordei sem mal, sem galo 
Sem serviço de despertar 
E sem ti
Te procuro do lado esquerdo
Apenas o frio de ausência permanece
Gelado que se mantem pedrado
De calçada portuguesa 
Que nunca passa de moda
Moda que não me traz atras
Como de ti caminho
Caminho de terra batida
Entre ovos farinha e carinho
Enches corações de mel
Que até salgados são bons e fofos
Fofura a vida com sol e água
Doce como os peixes que melhor se dão
Ao dia depois da noite
À morte depois da vida
E trepam portões fechados de tacões
Padrões a léguas de casa
Das casas em que dormem
Serenos ovos chocando galinhas
Coelhos também chocam correndo
Com a rapidez com que nos reduzem
À nossa querida pequenez
De vez em quando também saem grandes
Enormes dissertações sobre o que o coração dita 
E a razão debita
Como as que eram do açúcar no meu antigo quintal
Que me traziam memórias de para o bem e para o mal
Mas foi o tal, o que pequeno se quedou da distância
A que miras e atinges o que pretendes
Ao largo da barra onde me encontrarás para lá do teu horizonte 
E onde chegas primeiro pequeno ponto negro
Depois imenso como as cebolas do progenitor
Que não fazem chorar como sempre achei que faziam 
Ao jantar, a todos os jantares
E sorrio de nós
E rio de nos ver sós…

 
 
Ilia Mar

 

10ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 

Há amigos do peito que se tornam da onda, e vão-se num adeus ausente que faz deles amigos da onça. Onças de veludos e turcos, dos que prendem turbantes em cabeças ocas ou complexamente vazias, que violam mulheres sós e abandonadas, porque já haviam sido desonradas antes, ou que lhes colocam e às filhas coletes de explosivos prestes a rebentar na cara de quem odeiam. Destes amigos e inimigos é feito o meu mundo onde também cabem os maluquinhos que apontam a matar e filmam em direto mortes de ex-colegas de trabalho, ou os adolescentes que procuram realizar os jogos de vídeo com Kalashnikov’s compradas nas feiras da Vandoma dos quintais dos iluminados do capitalismo, saindo a matar em infantários repletos de bem-estar e educar pago a peso de petróleo ou ouro. Depois há as histórias macabras de assassinatos e crimes hediondos que se editam para fazer render peixes que cheiram pior que sardinhas em lata fora de prazo, e servem a leitura dos trabalhadores no metro atulhado de abelhudos a espreitar o jornal por cima dos nossos ombros. Também as há macabras fabricadas com personagens de brincar, como artistas que criam os cenários de crimes com barbies e ken’s das vidas de quaisquer crianças felizes. Enfim um mundo do piorio que nenhum Deus se vanglorie de a ele estar atento, porque ou é cego ou não tem arte, ou não ocorreriam os atentados que ocorrem diariamente por ele fora. Assim que me entristece profundamente e deprimo com o que a humanidade tem estado a fazer do mundo e não vejo luz ao fundo do túnel apenas um agravar e adensar de maus sentimentos e más atitudes que me faz desacreditar que algum dia possamos cair no buraco do pais das maravilhas, que possa tornar coelhos em mágicos bons que multiplicam a riqueza e bem-estar dos pobres e dos desprotegidos da sorte ou da herança indevida.

Ilia Mar

11ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 
 

 

Longe vem o dia em que o inner process of love saltará transbordando peitos de anjo, lábios grossos sem botox, climax que guarda beiçolas de pecado. E enquanto espero recebo insultos e desconsiderações, vale-me o amor próprio que jamais se perde com gentinha de menor dimensão. Gente que se faz sem pulso e sem gana, porque herdam impérios de esforço alheio e não chegam eles próprios a saber o que é isso e como se faz com honra. Desonrosos que viram bicos a pregos e bicas a pregas, para alisar a sua consciência que se faz falsa e pré-preparada para tudo. Ohhh vil pecado que entras nesses corpos de filhos de Deuses maiores que se perdem em jogos de poder e viver, à margem sem se marginalizarem nunca. Porque os donos e guardiões da lei também lhes devem consciências curtas de esperança e gratidão. Assim sigo sem defesa e sem garantia, mas liberta do ricochete que as palavras fazem em almas limpas e sem poeira e do implodir que conseguem em cabeças ocas que enterram carapuças até ao tutano.

 

12ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

Si vous voulez, eu voo. Voo saindo do lago como cisne branco a quem apagaram passado. É só tu quereres e lá estarei para voarmos juntos rumo ao desconhecido. Tu serás o patinho, eu, já o disse, a feia. E estou certa que ninguém nos refreia se unirmos forças e parâmetros em prol da bondade e generosidade, e do bem alheio como a feia ama, e como o bonito parece. Assim uniremos preces, e pombas brancas que nos conduzirão de Norte a Sul, gaivotas famintas que descerão perspicazes até ao mar. Um mar de ondas positivas, uma lagoa de águas límpidas e cristalinas, como a feia gosta e como o bonito terá que concordar se com ela quiser voar.

 

 

Ilia Mar

13ª HISTÓRIA NO MURAL DA MALUCA

 

Há lugar quando há, as vezes enche tanto que se projeta em ti feito brilho em ato reflexo, que ilumina e incendeia quando quer. Na verdade, este sentimento que acima de tudo é tão próprio, tão meu próprio, tão nosso próprio, não se fere no esforço da nega, não se torna serpente no preterir, não será lagarto camuflado, ou lagartixa sem rabo. Gritarei aos sete ventos, aos sete pináculos do céu, às sete maravilhas do mundo, às sete virtudes humanas, aos sete pecados mortais, o que sinto e o que por ti tenho. Um carinho imenso e um encantamento que, inigualável, resvala na minha imensa resistência aos cães, aos que trazem homens dentro sem ponta de vento. Sem brisa que os valha, sem pinta de orvalho, sem fio de luz. Sem luar brilhando corpos nus no lago. Na água da cascata livre, que casta nos recebe primatas, descobrindo o mundo através do número.

 

Ilia Mar

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